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Jack Daniel's: O Velho Jack No.7

17 de jul. de 2020
3 min de leitura

Atualizado: 24 de jul. de 2020

Como bom rockeiro (diga-se isso, como bom curtidor de rock, porquê não tão bom nos instrumentos), eu sempre me inspirava em grandes nomes.


Fãs de Hendrix que me perdoem, mas meu arrepio ao ouvir uma guitarra partiu totalmente do Slash, do Guns N' Roses. Sempre tentei copiar o estilo dele: o feeling na guitarra que parecia chorar (via pedal cry baby), ou o estilo de roupa que tocava o foda-se para metaleiros e até o cabelo e a cartola, de um jeito que não estava nem aí em mostrar seu rosto.


Mas óbvio, o assunto aqui não é dizer o quanto eu gosto de Hard Rock, apesar de ele ter muita influência em que sou hoje.


Não. Uma das coisas que mais me chamava a atenção no Slash era sua capacidade de esvaziar uma garrafa de Jack Daniel's Old Noº7 em tempo recorde e ainda se manter em pé para fazer um show. Bom, às vezes não conseguia ficar tanto em pé, mas não vem ao caso.


Jack Daniel's Tenneessee Whiskey era pra mim o elixir dos Deuses e que eu teria que alcançar. Falava dele o tempo todo, numa época em que eu só tinha dinheiro para comprar um Rum barato ou Vodkas de procedência duvidosa que, inclusive, causava aquela "leve" ressaca na manhã seguinte. A distância de preço era muito grande: Uma vodka ou rum custavam, no máximo, R$20,00, dividido entre 3 a 6 amigos, às vezes até mais pessoas.


Mas o Jack tinha seu preço e tinha seu valor. Eu não queria simplesmente comprar ele como algo que eu sentaria num banco na praça e viraria a garrafa. Não, deveria haver um ritual e, ao meu ver, deveria ser compartilhado somente com algumas pessoas. Porém, nunca consegui convencer essas pessoas a pagarem de 5x a 10x o preço da vodka duvidosa. R$100,00 reais, pra ser mais direto.


É nessa hora que se encontram os amigos (e salvadores). No meu aniversário de 2011, um estimado amigo na época (não é o mesmo do White Horse, mas que também está comigo até os dias atuais como família), e que inclusive trabalhava comigo num supermercado da cidade, comprou o tal whiskey que eu tanto enchia o saco. Eu trabalhava como repositor de bebidas, então sempre estava namorando elas e falando a respeito dele.


No final do dia do trabalho, me chamou e me deu aquela famosa caixa preta. Suei pelos olhos, esbravejei algo em tom de agradecimento a ele fiz os cumprimentos. Acho que nunca tinha ficado tão feliz com um presente assim, nem quando ganhei meu playstation 1 hahaha.



(Foto da garrafa original, com bordas mais arredondadas, que guardo até hoje)


Resumo do ocorrido: Fomos para casa dele uma noite, nos sentamos e começamos a beber, virando várias doses. Já esperava algo ótimo mas foi melhor que eu esperava.

O cheiro amadeirado com gosto de carvalho, eu, que já havia lido sobre o "charcoal mellowing", processo pelo qual o Jack é feito, passando por uma camada de carvão, senti a história descendo pela minha garganta e lembro do sentimento até hoje. Já ele, fez uma cara bem parecida com a que eu fiz quando provei o White Horse. Ele sempre tem a mesma feição até hoje e me faz rir toda vez, falando "Eco", como algo nojento. Mas não foi o caso do Jack.


Acredito que o auge disso tudo, depois de todos bêbados, foi apagar e só me lembrar de acordar no outro dia, na casa deste amigo, e ver o gorfo que ele tinha feito ao lado da cama dele e que inclusive quase acertou meu colchão.


A garrafa vazia, que tem um formato quadrado, porém, arredondado nas bordas, guardo até hoje em minha estante. Me lembrando de bons momentos.


O resto, meus amigos, é história...


"Me sirva mais uma dose de whiskey, pra eu celebrar minha amizade rara!" Dias de Truta.



* Foto do Slash retirada do site rollingstone.com.

* Foto da garrafa original tirada pelo Coragem Líquida.

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